2008/02/21

A teologia de Rubem Alves. Poesia, brincadeira e erotismo (2005)



Campinas, Papirus Editora, 2005.


Versión portuguesa de Series de sueños: La teología ludo-erótico-poética de Rubem Alves:
Eleonora Frenkel Barreto




Feliz este livro, A teologia de Rubem Alves. Pois nele o seu autor, Leopoldo Cervantes-Ortiz, procurou encontrar e trazer a nós não tanto a letra, mas o espírito de uma teologia que, de maneira afortunada, ele foi buscar não só nos livros do “primeiro Rubem”, mas também nos que vieram a seguir. Uma teologia que não busca respostas às suas perguntas, mas sentidos. Ou seja, outras boas perguntas às suas perguntas. Ou que talvez procure nem mesmo os sentidos de Deus, mas a querida imagem de seu rosto amoroso, tal como o retratam, entre diferentes traços, tons e cores, os sentimentos e as palavras dos homens.


CARLOS RODRIGUES BRANDÃO


Esse livro analisa o pensamento de Rubem Alves de uma perspectiva incomum. Isso se deve às próprias características da obra desse importante autor : sua escrita surge da teologia, mas aos poucos entra em diálogo com a filosofia, a psicanálise, a sociologia sociologia da religião, a pedagigia e a literatura. Quando, no início da década de 1980, Rubem Alves amplia sua reflexão, dedicando-se a assuntos que ultrapassam os temas teológicos propriamente ditos e começa a escrever crônicas e estórias para crianças, estudar sua obra se converte em um enorme desafio. Cervantes-Ortiz retoma as origens e a evolução do pensamento de Rubem Alves, autor que se distancia radicalmente das correntes teológicas em voga e percorre um itinerário único e muito criativo.


Este libro analiza el pensamiento de Rubem Alves desde una perspectiva poco común. Eso se debe a las características singulares de la obra de ese importante autor; su escritura surge de la teología, pero al poco tiempo entra en diálogo con la filosofía, el psicoanálisis, sociología de la religión, pedagogía y literatura. Cuando, al inicio de la década de los 80, Alves amplía su reflexión dedicándose a asuntos que rebasan los temas teológicos propiamente dichos y comienza a escribir crónicas e historias infantiles, estudiar su obra se convierte en un enorme desafío. Cervantes-Ortiz retoma los orígenes y la evolución del pensamiento de Alves, un autor que se distancia radicalmente de las corrientes teológicas en boga y recorre un itinerario único y sumamente creativo.


Referencias


Para aproximar-se mais de Deus
Fernando Antônio Gonçalves

http://pe360graus.globo.com/noticias/cidades/opiniao/2010/03/26/BLG,3574,4,529,NOTICIAS,890-PARA-APROXIMAR-DEUS.aspx


Para quem tem ampla sede de Deus e se encontra enojado de patifarias eclesiásticas as mais diversas, incluindo aqui a pedofilia, crime hediondo que deveria merecer severíssimas punições, até emasculações profiláticas segundo alguns mais revoltados, a leitura de um bom livro pode aclarar caminhares libertadores, ampliando uma Fé muitos furos acima de lideranças denominacionais moralistas e puritanosas, descontemporâneas por derradeiro. Uma vacina efetiva contra posturas travestidas de cristãs, meras estratégias pecuniárias que ainda se autoproclamam sósias de Deus.

Outro dia, no consultório do dentista Clodoaldo Sampaio, um dos profissionais mais bem conceituados da região, um livro presenteado por amiga dileta me fez iniciar horas seguidas de aprofundamento espiritual. O autor é mexicano, médico e também mestre em Teologia pela Universidade Bíblica Latino-americana da Costa Rica, atualmente dirigente do Centro Basiles de Investigación e Apoyo e integrante do comitê editorial da revista Signos de Vida, do Conselho Latino-americano de Igrejas.

O livro do Leopoldo Cervantes-Ortiz –A Teologia de Rubem Alves: poesia, brincadeira, erotismo, Papirus, 2005 - analisa o pensamento desse talento brasileiro de uma perspectiva bastante incomum, de acordo com as próprias características da obra do analisado. E ressalta como a escrita de Rubem Alves surge da teologia, progressivamente dialogando com a filosofia, a psicanálise, a sociologia da religião, a pedagogia e a literatura.

Desde o início da década de 1980, Rubem Alves vem ampliando suas meditações, dedicando-se a assuntos que ultrapassam os temas teológicos propriamente ditos. Principiou a escrever crônicas e estórias para crianças, sua obra se tornando um enorme desafio para desavisados especialistas. E esse desafio, para Leopoldo Cervantes-Ortiz, é o mote primeiro do seu livro: retomar as origens e a evolução do pensamento de Rubem Alves, um autor que se distancia radicalmente das correntes teológicas esclerosadas, percorrendo um itinerário intensamente criativo, efetivamente evangelizador, nunca nostálgico. O livro não necessita ser adquirido, basta ser vagarosamente assimilado. Se se colocar no Google o nome Leopoldo Cervantes-Ortiz, encontrará a versão integral dele em pdf. Além de vários outros escritos, artigos, análises e documentos. O livro contém duas reflexões notáveis do próprio Alves: “Teologia não é coisa de quem acredita em Deus mas de quem tem saudades de Deus”; e “Gostaria que a teologia fosse isto: as palavras que tornam visíveis os sonhos e que, quando ditas, transformam o vale de ossos secos numa multidão de crianças”.

Para leitores exigentes, foi acrescido um notável prefácio à edição brasileira, do escritor Carlos Rodrigues Brandão. Um prefácio inspirador, onde ele compara Rubem Alves a Gaston Bachelard na arte de possuir duas atividades. Uma, a de criar conceitos. A segunda, tão importante quanto à primeira, a de exercitar devaneios. Sempre ressaltando que Rubem Alves “não escreve para teólogos, mas para companheiros militantes de evangelho e de ecumenismo”.

O livro do Leopoldo Cervantes-Ortiz traz uma outra novidade, um prefácio do próprio Rubem Alves. Onde ele revela que “a literatura me chegou sem que eu esperasse, sem que eu preparasse o seu caminho. Chegou-me através de experiências de solidão e sofrimento”. E é ele próprio quem agradece ao autor do livro, ao final do prefácio, o presente de aniversário proporcionado, “pacientemente juntando as peças do meu quebra-cabeça”, que estuda a trajetória de um Alves que se libertou dos cacoetes acadêmicos inibidores, ao perceber que o sucesso da criatividade está em pensar fora dos engradados, das litanias características de um único palmilhar.

Vale a pena debruçar-se sobre o livro do Cervantes-Ortiz, para perceber que ideias e conceitos jamais poderão ser definitivos. Assimilando as evoluções ocorridas, enfronhando-se com as quatro dimensões da Evolução, a genética, a epigenética (transmissão de características celulares, alheias ao DNA),a comportamental e a simbólica (transmissão através da linguagem e de outros modos de comunicação), talvez um passo além de Charles Darwin.

Para os leitores deste Portal muito liderança, findo este texto reproduzindo uma oração de Rubem Alves, explicitada à página 180 do livro do Cervantes-Ortiz. Uma beleza de oração, destinada aos que sabem ser caminhantes, sempre à mercê da misericórdia divina: “Meu Deus: Não é sempre que o teu nome está na minha boca. Às vezes me esqueço de ti. E é bom que assim seja. Sinto o teu sorriso de aprovação. Há certos esquecimentos que nascem da confiança. O ciumento, que vive sem parar a possibilidade da perda, não esquece nunca...”

Feliz Páscoa para todos nós, planetários acima de tudo !!


PS. Nesta Páscoa 2010, entre os teólogos alemãos Hans Küng e Joseph Ratzinger, minha solidariedade fraterna ficará irmanada ao primeiro.

Quem discordaria do subtítulo deste livro de Leopoldo Cervantes Ortiz, dedicado à obra de Rubem Alves? Este teólogo mexicano acertou em cheio na escolha dos termos “poesia, brincadeira e erotismo” para descrever o legado de Alves. Mas apesar desses termos descreverem muito bem o lado mais propagandeado do trabalho de Rubem Alves, a grande contribuição de Ortiz, ao esboçar uma visão panorâmica desta teologia, consiste mesmo em situar a poesia, a brincadeira e o erotismo de Rubem Alves como desdobramentos dos seus primeiros trabalhos, mais próximos às teologias de libertação e menos propagandeados. Numa referência a Gaston Bachelard, o próprio Ortiz chamaria de “diurno” a este primeiro Rubem Alves ocupado com os temas da política, da utopia e da sociedade. Sem negar a dimensão lúdica e erótica que acabou ganhando relevo nos trabalhos de Rubem Alves, a felicidade de Ortiz consiste em situar estas dimensões num continuum em relação a uma fase do pensamento de Alves que permanece ainda sob sombras para muita gente. Para quem é apaixonado pelo Rubem Alves das crônicas, do riso e da teopoética, esta obra seria importante por agregar a este o Rubem Alves da política, da esperança utópica e da libertação. Isso sem dicotomias ou binarismos.
http://psiqueereligiao.blogspot.mx/2011/02/meus-10-mais-da-teologia-2001-2010.html

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